Pais de bebé processam dois médicos por negligência
Ago 27, 2009 Destaques
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Os pais de uma menina nascida no Hospital de S. Bernardo processaram dois médicos do serviço de obstetrícia por negligência médica. O caso remonta a Maio deste ano, altura em que a bebé nasceu sem sinais vitais e apresentando, depois de reanimada, mazelas irreversíveis. A menina de seis meses acabaria por falecer no passado fim-de-semana. Uma médica e um médico que prestam serviço na maternidade do Hospital de Setúbal foram processados por negligência médica pelo casal Alexandra do Nascimento Santana Inácio, de 39 anos de idade e João Paulo da Silva Inácio, de 38 anos. Em causa está o tratamento dado a Alexandra durante um trabalho de parto induzido, quando a mesma estava, desde a sexta semana de gestação a receber acompanhamento, naquela unidade hospitalar, a uma gravidez de alto risco. Alexandra foi mãe pela primeira vez aos 29 anos de idade mas sempre alimentou o desejo de ter um segundo filho, o que acabou por acontecer, ocasionalmente, no início deste ano. “Foi uma felicidade imensa para nós e para a minha filha”, actualmente com 10 anos, “que desejava muito ter um irmão”. Com um problema de hipertensão, a gravidez de Alexandra foi classificada de alto risco e o seu acompanhamento passou a ser feito no Hospital de Setúbal, na consulta externa, através de uma médica da especialidade. No decorrer da gestação fez todos os exames que lhe foram indicados, nomeadamente um amniocentese (exame através do qual se determina o conteúdo cromossómico do feto) que, devido à sua idade, “foi também um factor de risco”, mas os resultados dos exames iam indicando “que estava tudo normal e sem qualquer problema”, até que perto das “37 semanas, a tensão começou a subir, comecei a ser medicada mas houve um dia em que fui ao hospital com a tensão alta e fiquei internada”. Alexandra diz que logo no dia seguinte ao seu internamento, “a médica, do hospital, que me vinha a acompanhar na gravidez, quis partir para uma indução de parto” e que “nunca pôs a hipótese de ser feita uma cesariana”. Estávamos em Maio, do corrente ano, quando num dia daquele mês, às 9 horas, foi feita a Alexandra a indução do parto que, diz, “não fiz mais do que um dedo de dilatação, a mesma que sempre apresentei até final do processo”, muito embora tenham “voltado a reforçar, à tarde, com o gel para provocar o parto”, salienta. Por volta das 23 horas esta mulher diz ter começado “a ter dores muito intensas, das quais me queixei ao enfermeiro que, por sua vez, foi falar com o médico que então estava de serviço”, uma vez que a médica assistente já não estava ao serviço. Segundo Alexandra Inácio, “o médico mandou o enfermeiro dar-me um comprimido para as dores, chá e bolachas e esperar pelo dia seguinte, para ver o que depois se fazia”. Entretanto, as dores iam aumentando cada vez mais, o que levou a nova carga de medicação “daquela vez no soro”, o que acabou também por não resultar, uma vez que a intensidade da dor ia sempre aumentando. Alexandra esteve desde as 9 horas até às três da madrugada do dia seguinte sem fazer a dilatação e neste sofrimento, até que o enfermeiro reparou que o coração da bebé já não estava a funcionar. A partir dai, “levaram-me para a sala de partos de urgência, para fazer uma cesariana de urgência e o resultado foi que eu já tinha feito uma ruptura uterina e acabei na Unidade de Cuidados Intensivos”. Quanto à bebé, “a Beatriz nasceu morta, teve que ser reanimada até à exaustão, ficou com uma paralisia cerebral grave – a menina não engolia, era alimentada por uma sonda, era aspirada constantemente, porque não conseguia engolir a secreções que tinha e não segurava a cabecinha e foi transferida para a Maternidade Alfredo da Costa”, onde esteve um mês e 10 dias, regressando de novo para o Hospital de Setúbal. Há cerca de duas semanas atrás, “surgiu uma pneumonia grave à Beatriz, que foi transportada para o Hospital da Estefânia”, onde, no passado dia 24 viria a falecer. JUSTIÇA A bebé nunca foi aquela que seria a sua casa e Alexandra passou os últimos seis meses a viver em hospitais. A sua filha mais velha ainda viu a irmã, “pegou-lhe ao colo e fazia imensos projectos para ela”. A família, completamente destroçada, resolveu não deixar “que este acto de negligência fosse esquecido”, os “erros têm que ter responsáveis” e a única coisa que querem “é que se faca justiça”, a “minha filha era perfeita e se a médica não me ligou nenhuma: saiu do seu turno sem deixar qualquer indicação sobre mim, por outro lado o médico que depois me fez acompanhamento, resolveu que não era ele que ia resolver aquela situação e eu, e a minha filha, ficámos no meio de toda esta situação e eu perdi a minha filha e não vou, possivelmente, poder ter mais filhos”. O casal apresentou, no Tribunal da Comarca de Setúbal, uma queixa-crime contra os dois médicos do Hospital de Setúbal. Entretanto, «O Setubalense» contactou Cecília Claudino, advogada da família, que se escusou a prestar qualquer declaração uma vez que o processo se encontra em segredo de justiça. Ana Maria Santos |
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| Fonte: Publicado no Jornal “O Setubalense” |