Homem começou a ser julgado por tentativa de homicídio

Um homem de 53 anos começou a ser ontem julgado no Tribunal de Setúbal, acusado de tentativa de homicídio. Os factos reportam-se a 21 de Novembro de 2006, na rua do Clube Recreativo da Palhavã, em Setúbal, quando uma discussão acabou num disparo sobre Vítor Manuel Simões Araújo, então com 26 anos, o qual ficou gravemente ferido.

Ana Maria Santos
red.asantos@osetubalense.pt

Começou ontem, na Vara Mista do Tribunal da Comarca de Setúbal, o julgamento de José Joaquim da Silva, de 53 anos, acusado de tentativa de homicídio sobre Vítor Manuel Simões Araújo, assim como de posse e uso de arma proibida.

Natural de Setúbal mas residente em Estremoz, o arguido seria habitual frequentador do Clube Recreativo Palhavã onde, a 21 de Novembro de 2006, se terá envolvido numa discussão com a vítima sobre a qual acabou por disparar uma pistola de calibre 6.35 mm, provocando ferimentos graves em Vítor Araújo.

Na primeira sessão de ontem – composta por um colectivo de juízes presidido por Belmira Felgueiras e constituído por Anabela Campos e Helena Barros – o arguido não conseguiu explicar ao Tribunal as causas que estiveram na base da discussão, que teve início no interior da colectividade. No entanto, a troca de palavras entre os dois indivíduos – ao que tudo indica já teriam existido outras altercações entre os dois – começou quando o arguido pediu, cerca das 22.45 horas daquele dia, um café e foi informado de que a máquina já estaria desligada pois a colectividade encerra às 23 horas.

O arguido não terá gostado de ver negado o pedido e depois de umas palavras para funcionária a vítima terá intervido em sua defesa e a discussão “acendeu-se” de tal forma que os dois terão mesmo passado das agressões verbais para as físicas. Entretanto, Vítor Araújo terá sido encaminhado para o exterior da colectividade enquanto o arguido ainda ali permaneceu por alguns minutos. No entanto, quando saiu tinha à sua espera a vítima que, disse em tribunal, queria pedir satisfações ao arguido.

Só que este dirigiu-se ao carro que tinha estacionado nas imediações e disparou sobre Vítor Araújo tendo a bala entrado por debaixo do mamilo esquerdo atravessando-lhe, transversalmente, o tronco e provocando-lhe ferimentos de grande gravidade (a nível do abdómen, intestino delgado, cólon e recto) que o levaram a ser submetido a uma intervenção cirúrgica urgente e, posteriormente, a nova cirurgia.

Segundo a acusação do Ministério Público – que neste julgamento tem como Procuradora Joaquina Machado -, o arguido agiu “com o intuito de causar lesões e a morte de Vítor Araújo, ao direccionar o disparo para a zona torácica e abdominal deste, de forma a atingi-lo numa zona onde se alojam diversos órgãos vitais”.

Antes do início da sessão de audiência de ontem a advogada de defesa de Vítor Araújo, Cecília Claudino, conseguiu um acordo de 25 mil euros para o seu constituinte a título de indemnização cível e tendo por base o facto de o mesmo, apesar das várias cicatrizes e lesões, não ter ficado com incapacidade permanente.

No entanto, o julgamento de José Joaquim Silva vai prosseguir e, caso venha a ser provada a tentativa de homicídio o arguido incorre numa pena de cerca de 4,5 anos de prisão.

 
Fonte: Trissemanário O Setubalense